União Brasil quer Ciro Gomes: aliança contra o PT em 2026?

Convite une aliados e desafetos do ex-governador em torno de um mesmo projeto eleitoral.

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Foto: Reprodução/Redes Sociais

O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes (PDT) entrou na mira de partidos que buscam reconfigurar o cenário político nacional e, em especial, no Ceará. Nesta semana, ele recebeu uma ligação de Antônio Rueda, presidente do União Brasil, convidando-o a se filiar à legenda com vistas às eleições de 2026. Um encontro presencial entre os dois já está agendado para avançar nas conversas.

A possível filiação de Ciro ao União Brasil ganha contornos simbólicos e estratégicos. Isso porque o partido se prepara para ser a nova casa de Roberto Cláudio, ex-prefeito de Fortaleza e aliado histórico de Ciro, que deixou o PDT com a intenção de concorrer ao Governo do Estado. Por outro lado, o União também é presidido no Ceará por Capitão Wagner, adversário político de longa data dos Ferreira Gomes, com quem Ciro protagonizou embates públicos e até disputas judiciais. Recentemente, no entanto, Wagner adotou um tom conciliador e afirmou que ele e Ciro “pensam parecido” em relação ao Ceará, sugerindo uma união frente ao avanço do PT no estado.

Além do União Brasil, Ciro também recebeu convite do ex-senador Tasso Jereissati para retornar ao PSDB, partido pelo qual foi governador nos anos 1990. A proposta inclui a possibilidade de assumir o comando tucano no Ceará, reatando laços antigos com Tasso, com quem teve relação política próxima e, posteriormente, distanciada.

A situação ocorre em meio ao esvaziamento do PDT no Ceará. Quatro dos cinco deputados federais da sigla no estado já demonstraram intenção de sair em 2026. Apenas André Figueiredo sinaliza permanência, buscando alinhamento com o governo Elmano de Freitas (PT), movimento contrário ao de Ciro. No plano estadual, os quatro deputados do PDT fazem oposição ao PT e também devem deixar a legenda.

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, tenta segurar Ciro no partido, mas a migração parece cada vez mais possível, diante do novo reposicionamento de forças em curso no estado e no país.

A disputa pela filiação de Ciro reflete o peso político que o ex-presidenciável ainda carrega, especialmente em um Ceará marcado por alianças fluidas e reconfigurações constantes, especialmente no campo da oposição. Ao mesmo tempo, revela como partidos como União Brasil e PSDB buscam figuras de projeção nacional para fortalecer suas bases regionais diante da força do PT, que no estado tem como principal articulador o ministro da Educação, Camilo Santana.

Camilo, aliás, trabalha para atrair parte do União Brasil à base do governo federal, cogitando inclusive a candidatura do deputado Moses Rodrigues (União) ao Senado em 2026 — movimento que pode ampliar ainda mais a tensão dentro da legenda.