“Vamos deixar a investigação acontecer”, diz Elmano sobre Júnior Mano

Governador evita prejulgamentos, responde críticas da oposição e afirma que desfecho do caso definirá rumos políticos.
Foto: Reprodução de Vídeo

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Diante do avanço das investigações da Polícia Federal sobre o suposto esquema de desvio de emendas parlamentares no Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) defendeu uma postura de prudência ao comentar o caso. Em entrevista ao Diário do Nordeste, nesta quarta-feira (9), o chefe do Executivo cearense evitou juízos precipitados sobre o envolvimento do deputado federal Júnior Mano (PSB), principal alvo da Operação Underhand, deflagrada um dia antes.

Segundo Elmano, a simples condição de investigado não pode ser traduzida, automaticamente, como prova de culpa.

“É preciso deixar a investigação acontecer. Às vezes, você sendo sério, pode ser investigado por uma denúncia infundada. O importante é aguardar o andamento do processo e respeitar o devido processo legal”, ponderou.

As declarações do governador surgem no contexto de uma operação autorizada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, que classifica Júnior Mano como peça central de uma organização criminosa voltada ao desvio de recursos públicos por meio de emendas. Os recursos, segundo a PF, teriam sido usados inclusive para financiar campanhas eleitorais de forma irregular.

Resposta à oposição

Elmano também aproveitou a entrevista para responder ao ex-deputado Capitão Wagner (União Brasil), que publicou nas redes sociais críticas ao parlamentar investigado, usando imagens em que o próprio governador aparece ao lado de Júnior Mano. Para o petista, esse tipo de conduta revela “proselitismo político” e tentativa de capitalizar sobre uma investigação ainda em curso.

“Vi o deputado Capitão Wagner fazendo acusações. Só esqueceu que o deputado Júnior Mano votou nele na última eleição. É preciso ter coerência”, rebateu.

O governador disse ainda que não costuma usar investigações como instrumento político.

“Há nomes de vários partidos envolvidos. Nunca fiz esse tipo de aproveitamento, porque acho que é preciso respeito às pessoas”, afirmou.

Sobre os demais citados

Além de Júnior Mano, os deputados federais José Guimarães (PT), Eunício Oliveira (MDB) e Yury do Paredão (MDB) também foram mencionados nas investigações, embora em contextos distintos, sem apontamentos diretos de participação. O STF autorizou apurações específicas para esclarecer as citações feitas por terceiros.

Ao comentar o envolvimento dos aliados, Elmano reafirmou o princípio da presunção de inocência.

“Guimarães declarou que não destinou recursos aos municípios citados. Eunício, por sua vez, suspendeu emenda que seria enviada. Precisamos deixar a investigação seguir”, defendeu.

Impacto político

Júnior Mano é nome frequente nas articulações para as eleições de 2026 e já foi apontado como possível candidato ao Senado pelo grupo governista. Ao ser questionado sobre o impacto da operação nos planos políticos do parlamentar, Elmano disse acreditar que o próprio deputado saberá avaliar seu futuro com base no desfecho da investigação.

“O futuro vai depender do resultado das apurações. O senador Cid Gomes, liderança importante do PSB, certamente também aguarda os esclarecimentos para decidir como o partido vai se posicionar”, concluiu.

As declarações do governador refletem o cuidado do Palácio da Abolição em tratar o tema com distanciamento institucional, diante de um episódio que, mesmo em fase preliminar, já provoca repercussões no campo político e pode reconfigurar alianças rumo à próxima disputa eleitoral.