Depois de dois anos sem queda, o Ceará encerrou 2025 com redução de 7,7% nas mortes violentas, segundo dados oficiais divulgados pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS). Ao todo, foram 3.021 Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) no ano passado. O dado interrompe a trajetória de alta registrada em 2024, quando o Estado somou cerca de 3,2 mil ocorrências.
A melhora, porém, não foi homogênea. A Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) contrariou a tendência estadual e registrou aumento de 5,9% nos CVLIs, passando de 852 para 902 casos em 2025. O contraste entre os resultados reacende o debate sobre dinâmicas locais da violência e disputas entre organizações criminosas.
Interior puxa queda; Fortaleza também recua
Na capital, os números foram positivos. Fortaleza reduziu em 11% as mortes violentas, com 742 registros em 2025, ante 834 no ano anterior. Entre as macrorregiões, o Interior Sul apresentou o maior recuo, de 16,5% (de 684 para 571 mortes). Já o Interior Norte teve a menor redução proporcional, 10,6%, com 806 casos no ano.
A série histórica ajuda a contextualizar o movimento: após forte queda até 2021, os indicadores ficaram praticamente estáveis em 2022 e 2023 (cerca de 2,9 mil mortes/ano), voltaram a subir em 2024 e, agora, recuam novamente em 2025.
Latrocínios e crimes patrimoniais em queda
Os latrocínios também diminuíram. O Estado registrou redução de 39% (de 41 para 25 casos). Em Fortaleza, a queda foi ainda mais expressiva: 55%, passando de 20 para nove ocorrências.
Já os Crimes Violentos contra o Patrimônio (CVPs) recuaram 21,9% no Ceará, de 25 mil para 19 mil registros. Os furtos caíram 8,9%. Entre as ações citadas pela SSPDS estão programas de prevenção e recuperação de bens, como o “Meu Celular”, que soma 11,6 mil aparelhos recuperados desde abril de 2024, além do “Moto Segura” e do “Segurança no Ponto”.
Prisões e apreensões aumentam
Em 2025, as prisões por envolvimento com organizações criminosas cresceram 96% no Estado, alcançando 2,5 mil ações entre mandados e flagrantes. Fortaleza liderou o avanço, com alta de 153,3% (836 prisões). Na RMF, o aumento foi de 75,1%.
Outro indicador em alta foi a apreensão de armas: 7.221 armas retiradas de circulação, maior número desde 2009 e 13% acima de 2024. A média foi de 20 armas por dia. Fortaleza respondeu por 1,6 mil apreensões (+6,9%), enquanto a RMF teve alta de 18,2%.
Disputa entre facções pressiona a RMF
Ao comentar os dados, o secretário Roberto Sá associou o aumento da letalidade na RMF à intensificação de conflitos entre grupos criminosos, sobretudo no segundo semestre. “A letalidade entre esses grupos aumentou, resultando em uma taxa elevada”, afirmou.
Como resposta, o Estado inaugurou o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Região Metropolitana, com sede em Caucaia. A estrutura reúne quatro delegacias (duas em Caucaia, uma em Maracanaú e uma em Maranguape), quatro delegados titulares e 31 investigadores, com foco na apuração de CVLIs na região.
Apesar do recuo estadual, o secretário ponderou que os números ainda estão aquém do desejado. “Não estamos satisfeitos. Vemos que estamos no caminho certo, mas queremos muito mais”, disse, ao indicar ajustes de estratégia e protocolos para 2026.
Série histórica de CVLIs no Ceará
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2020: 4.039
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2021: 3.299
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2022: 2.970
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2023: 2.970
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2024: 3.272
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2025: 3.021




