O afastamento de Mauro Filho (União) da vice-liderança do governo na Câmara dos Deputados não chega a surpreender. Na política, chega uma hora em que o palanque cobra coerência — ou, pelo menos, aparência de coerência.
O deputado afirma que votará em Lula para presidente. No Ceará, porém, ocupa uma posição central na campanha de Ciro Gomes, adversário do governador Elmano de Freitas, candidato à reeleição pelo PT, com apoio declarado do presidente.
E Mauro não é apenas mais um apoio na fotografia. Como coordenador do plano de governo, participa diretamente da formulação das políticas que a oposição pretende implantar caso vença a eleição.
Com a campanha estadual mais acirrada e os ataques avançando até sobre questões pessoais, ficou difícil sustentar essa dupla posição: defensor do governo federal em Brasília e estrategista de seus adversários no Ceará.
A explicação do ministro de Relações Institucionais José Guimarães segue essa lógica: a função nacional passou a se chocar com a disputa local. No entender de Mauro, a decisão pode ter contado também com o incômodo de Camilo Santana.
A relação construída pelo deputado com o governo, especialmente nas discussões econômicas, não desaparece por causa do afastamento. Mas a vice-liderança é uma função política, não apenas técnica.
No fim, Mauro continua com Lula, mas já não poderá falar oficialmente por seu governo. É o preço de tentar atravessar uma eleição estadual com um pé em cada palanque.




