A política transformou em pergunta inevitável o que Cid Gomes (PSB) gostaria de manter no terreno privado: o afastamento do irmão Ciro Gomes (PSDB).
Por onde passa no Ceará, o senador e candidato à reeleição é provocado a explicar uma ruptura que deixou de ser apenas familiar para ocupar o centro da campanha estadual.
Cid procura separar as duas dimensões. Preserva o afeto, mas não esconde a divergência: “Meu respeito pelo meu irmão mais velho continua o mesmo.”
O limite, segundo ele, foi estabelecido pelas novas alianças de Ciro, hoje candidato da oposição ao Governo do Ceará. A aproximação com setores ligados a Jair Bolsonaro tornou incompatíveis os caminhos dos dois.
“Quem foi se aliar ao Bolsonaro, ao bolsonarismo, por favor não queira me levar junto”, afirmou o senador.
A declaração é dura, embora venha embalada pelo conhecido tom ponderado de Cid. Não fecha as portas da relação pessoal, mas praticamente lacra a parceria política que marcou a história recente do Ceará.
Resta saber até que ponto essa divisão familiar influenciará o eleitor. Na urna, sobrenome ajuda a contar uma trajetória — mas não obriga ninguém a seguir pelo mesmo caminho.




