Foto: Arquivo/ETC
Na manhã desta quarta-feira, 8 de novembro, o PDT do Ceará enfrentou um terremoto político com a aprovação unânime de cartas de anuência concedendo a parlamentares a permissão para deixar o partido sem o risco de perderem seus mandatos na Justiça. A de4cisão aconteceu em reunião do Diretório Estadual, antecipada pelo senador Cid Gomes, segundo ele para se antecipar às punições que já eram esperadas por parte da Executiva Nacional do partido, que tem reunião marcada para o fim da tarde desta quarta-feira (08), em Brasília.
Os motivos que levaram a essa debandada em massa estão enraizados em alegações de perseguições, atos judiciais, e ações administrativas consideradas imorais e ilegais por parte da direção do PDT no estado. Além disso, a inativação do diretório, desrespeito a prazos, e ações que prejudicavam os membros da ala de Cid Gomes, uma das principais lideranças do partido no Ceará, foram fatores determinantes para a tomada de decisão.
O líder do governo na Assembleia Legislativa do Ceará, Romeu Aldigueri, justificou a saída em massa dos filiados que fazem parte da ala de Cid Gomes, destacando as inúmeras tentativas de diálogo e resolução interna antes de chegarem a essa drástica decisão. O parlamentar relatou:
“(Foram) perseguições, atos judiciais e ações administrativas imorais e ilegais, a inativação do diretório, prazos sendo desrespeitados, nós tentamos de tudo”, bradou o deputado.
O resultado desse movimento político é impressionante. No total, incluindo o deputado estadual Evandro Leitão, foram 10 deputados estaduais titulares, 4 suplentes de deputados estaduais, 4 deputados federais titulares e 2 suplentes de deputados federais que pediram para deixar o PDT. Entre os nomes notáveis que se desligaram do partido estão Eduardo Bismarck, Idilvan Alencar e Mauro Filho, deputados federais, e deputados estaduais como Guilherme Landim, Jeová Mota, Lia Gomes, Marcos Sobreira, Oriel Filho, Osmar Baquit, Romeu Aldigueri, Salmito e Sérgio Aguiar, além de vereadores e suplentes.
A estratégia dos parlamentares que pediram para sair é, a exemplo de Evandro Leitão – que já conseguiu sua desfiliação no TRE local -, seguir com ações judiciais para efetivar suas desfiliações. Somente após uma manifestação favorável da Justiça é que as tratativas para novas filiações poderão ser iniciadas de forma concreta. Esse processo promete ser complexo e demorado, uma vez que a Executiva Nacional do PDT vai se reunir logo mais, em Brasília, e deverá reagir. O presidente em exercício, André Figueiredo, disse que só vai se pronunciar após a reunião, mas é certo que o PDT vai requerer o mandato de todos os parlamentares que querem sair.
QUEM FICA
Se forem efetivadas as saídas, de parlamentares só ficarão no PDT cearense André Figueiredo, deputado federal, bem como os deputados estaduais Claudio Pinho, Antonio Henrique e Queiroz Filho, ligados ao ex-ministro Ciro Gomes, irmão e hoje desafeto de Cid Gomes e uma das principais figuras do PDT a nível nacional.
A despeito de liderar os parlamentares que receberam cartas de anuência, o senador Cid Gomes também permanece no partido.
Essa debandada no PDT do Ceará é mais um sinal claro de que as tensões internas do partido atingiram um ponto de não retorno. Como essa situação evoluirá e quais serão as implicações políticas no estado e além, só o tempo dirá.




