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Com a chegada da quadra chuvosa no Ceará, as cidades enfrentam desafios relacionados ao extravasamento de esgoto, um problema que afeta diretamente a saúde pública e o meio ambiente. Muitos desses transtornos estão ligados à mistura inadequada entre as redes de esgotamento sanitário e de drenagem, resultado de ligações irregulares ou do descarte inadequado de resíduos.
Embora pareçam similares, os sistemas de esgoto e drenagem têm funções distintas. A rede de esgoto foi projetada para transportar efluentes domésticos e industriais até as estações de tratamento, enquanto a rede de drenagem conduz a água da chuva para lagoas, rios e mares. Quando a água pluvial é desviada para o sistema de esgoto, ocorre uma sobrecarga na tubulação, que não foi dimensionada para suportar esse volume. O resultado? Extravasamentos nas vias públicas, aumento nos custos operacionais e danos ao ecossistema.
Entenda a Gravidade das Ligações Irregulares
As ligações irregulares, muitas vezes feitas sem conhecimento técnico, são um dos principais agravantes dessa situação. Águas pluviais que deveriam escoar para galerias específicas acabam sobrecarregando o sistema de esgoto. Essa sobrecarga pode provocar o retorno de resíduos pelas tampas de esgoto ou poços de visita (PVs), causando mau cheiro, riscos à saúde e transtornos para moradores.
Além disso, o descarte de materiais como lixo e areia na rede de esgoto intensifica as obstruções. Somente em Fortaleza, a Ambiental Ceará, responsável pela operação do sistema de esgotamento sanitário em parceria com a Cagece, realizou mais de 45 mil desobstruções no último ano, destacando a dimensão do problema. No Cariri, foram cerca de 3.500 desobstruções, reforçando a necessidade de conscientização da população.

Prevenção é o Melhor Caminho
A solução para evitar transtornos durante a quadra chuvosa passa pela conscientização e pela manutenção preventiva. Entre agosto e dezembro, meses que antecedem o período de maior volume de chuvas, equipes especializadas realizam limpezas preventivas nas redes de esgoto em áreas com histórico de obstruções. Esse trabalho é essencial para remover resíduos acumulados e garantir o pleno funcionamento do sistema.
“Investimos muito no trabalho preventivo, não apenas monitorando, mas garantindo a operação correta da rede, em cronogramas de limpezas preventivas, para reduzir o número de obstruções e extravasamentos em vias públicas, que podem gerar riscos à saúde e impactos ao meio ambiente”, explica o diretor-presidente da Ambiental Ceará, André Facó.
Em Fortaleza, bairros como Jangurussu, José Walter e Meireles estão entre os focos dessas ações. No Cariri, Juazeiro do Norte e Barbalha também recebem atenção especial, com trabalhos intensificados em locais críticos. Essa estratégia reduz significativamente o risco de extravasamentos e minimiza os impactos ambientais.
O Papel da Tecnologia e da População
Com a ajuda de tecnologias como o monitoramento em tempo real, realizado pelo Centro de Operações Integradas (COI) da Ambiental Ceará, é possível identificar aumentos nos níveis das tubulações e agir rapidamente para evitar extravasamentos. Mas a tecnologia, por si só, não resolve o problema. É indispensável que a população faça sua parte, descartando corretamente o lixo e evitando ligações irregulares.
Caso um extravasamento seja identificado, a orientação é entrar em contato com os canais de atendimento disponibilizados pela Cagece. O site (www.cagece.com.br) e o aplicativo da Cagece APP e a central telefônica 0800 275 0195, que funciona 24 horas por dia, estão à disposição para receber as solicitações.
Conscientização para um Futuro Melhor
A quadra chuvosa traz desafios que só podem ser superados com esforços conjuntos entre população, poder público e empresas operadoras do sistema de esgotamento sanitário. Entender a função de cada sistema e agir de forma responsável são passos fundamentais para evitar transtornos, preservar o meio ambiente e garantir qualidade de vida para todos.




