“Custo inaceitável para a produção”: FIEC reage à Selic de 15%

Federação aponta risco de retração industrial e cobra alinhamento entre políticas monetária e fiscal.
Fachada da sede da FIEC

Compartilhar

Facebook
Twitter
WhatsApp

Foto: Ascom/FIEC

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a taxa básica de juros (Selic) para 15% ao ano provocou forte reação da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC). Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (19), a entidade manifestou “profunda preocupação” com os efeitos do aperto monetário sobre a atividade produtiva, especialmente no Nordeste.

A crítica da FIEC se concentra no impacto direto da alta dos juros sobre a indústria, que, segundo a federação, já enfrenta desigualdades estruturais históricas e maior dificuldade de acesso ao crédito. Para o presidente da entidade, Ricardo Cavalcante, o atual nível da Selic é “um dos mais elevados da história recente” e representa um custo “inaceitável” para o setor produtivo.

Embora reconheça a importância da política de combate à inflação, a federação alerta para os “efeitos colaterais profundos” da medida, como retração de investimentos, paralisação de projetos e fechamento de postos de trabalho.

“A política monetária e a política fiscal precisam estar alinhadas”, pontua o texto. “Não se constrói uma nação competitiva sacrificando a produção e o emprego.”

Outro ponto abordado é o desalinhamento do Brasil em relação ao cenário global. Enquanto outras economias caminham para juros reais mais baixos, a elevação da Selic no país compromete, segundo a FIEC, a previsibilidade e a capacidade de planejamento de longo prazo do setor privado — especialmente em áreas estratégicas como inovação e sustentabilidade.

A entidade finaliza cobrando equilíbrio nas decisões econômicas. “O setor produtivo não pode continuar sendo o fiador do ajuste econômico do país”, afirma. Para a FIEC, o país precisa de uma política monetária mais sensível à realidade da indústria e de um compromisso efetivo com o controle fiscal. Juntas, essas ações seriam essenciais para garantir a retomada do crescimento e impulsionar a reindustrialização nacional.

“Com a Selic a 15%, o Brasil se descola das principais economias do mundo e torna mais difícil o caminho da produção, do emprego e do desenvolvimento sustentável”, resume Ricardo Cavalcante.

Abaixo, a íntegra da nota da FIEC.