A empresa responsável pelo projeto Aerotrópolis tem reafirmado que a área licenciada – parte do terreno do Aeroporto de Fortaleza – não integra o Bioma Mata Atlântica, tampouco apresenta Área de Preservação Permanente (APP). Segundo nota divulgada, o licenciamento conduzido pela SEMACE teria respaldo técnico e jurídico, confirmado por especialistas e estudos independentes. Conforme a posição da empresa:
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O geógrafo Thiago Frank utilizou dados oficiais do IBGE para analisar os 63,33 hectares da área considerada, demonstrando que não haveria sobreposição com a delimitação oficial da Mata Atlântica (Lei nº 11.428/2006 e Decreto nº 6.660/2008).
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Laudos da Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) e da COGERH teriam atestado a inexistência de cursos d’água naturais perenes ou intermitentes — o que, segundo a Aerotrópolis, afasta a configuração de APP, nos termos do Código Florestal (Lei nº 12.651/2012).
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A empresa questiona ainda um documento preliminar do Ibama enviado ao Ministério Público, argumentando que não constituiu parecer técnico formal, teria sido finalizado antes da vistoria e não teria respaldo metodológico.
Por fim, o empreendimento é apresentado como estratégico para o Ceará: prevê aportes de cerca de R$ 1 bilhão, geração de milhares de empregos diretos e indiretos, e arrecadação significativa de ICMS.
O pano de fundo: denúncias antigas, suspensão de licença e reaparecimento do tema
Denúncias e o Fortal
As suspeitas de que áreas no entorno do Aeroporto de Fortaleza estariam sofrendo desmatamento remontam ao anúncio de que o Fortal 2025 (carnaval fora de época) seria realizado ali. O vereador Gabriel Aguiar, conhecido como Gabriel Biologia (PSOL), denunciou que dezenas de hectares de vegetação estariam sendo suprimidos sem os estudos ambientais exigidos — especialmente em área protegida pela Lei da Mata Atlântica.
Por causa da polêmica, o Fortal acabou voltando para o seu local original, no bairro Manoel Dias Branco. A empresa promotora chegou a processar o vereador por danos à imagem, argumentando que ele agiu com excesso em vídeo que denunciava o uso da área — e requereu indenização de R$ 100 mil.
Reabertura e nova contenda
O debate ressurgiu com força em 2025 devido ao projeto Aerotrópolis e imagens de supressão vegetal em outra área do Aeroporto – mais precisamente onde antes se localizava o antigo Aeroclube. O vereador Gabriel já formalizou representação ao Ministério Público, questionando a licença concedida pela SEMACE e exigindo que os estudos previstos em lei fossem apresentados.
Enquanto isso, em 26 de setembro de 2025, a SEMACE divulgou a suspensão da licença ambiental da Aerotrópolis, apontando irregularidades como intervenção em APP, supressão além dos limites autorizados e manejo inadequado de fauna.
A autarquia justificou que, embora o processo de licenciamento tivesse sido conduzido com anuência municipal (desde 2023), a execução da obra ultrapassou o permitido e gera necessidade de auditoria técnica final.
E agora?
O caso Aerotrópolis, longe de ser apenas mais um empreendimento logístico, tornou-se um símbolo das disputas entre desenvolvimento e preservação ambiental no Ceará. A narrativa oficial da empresa apresenta uma defesa embasada em dados técnicos e jurídicos. A contranarrativa — encabeçada por movimentos sociais, o vereador Gabriel Aguiar e órgãos de fiscalização — aponta lacunas metodológicas, possíveis descumprimentos e riscos ambientais.
Com a suspensão da licença pela SEMACE, inicia-se uma nova fase: a elaboração do relatório final, a possível reversão judicial, a atuação do Ministério Público e a apresentação formal de defesas e recursos. As decisões que vierem poderão repercutir não só para este projeto, mas também para futuros empreendimentos em áreas sensíveis no estado.




