Bolsonaro critica medidas do STF e diz ser alvo de “suprema humilhação”

Ex-presidente foi alvo de operação da Polícia Federal, terá que usar tornozeleira eletrônica e está proibido de deixar Brasília e de se comunicar com outros réus ou com embaixadores e diplomatas de outros países.
Jair Bolsonaro

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Foto: Carolina Antunes/PR

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) classificou como “suprema humilhação” as novas medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que incluem o uso de tornozeleira eletrônica, recolhimento domiciliar noturno e aos fins de semana, além da proibição de contato com outros investigados e representantes de embaixadas estrangeiras. Ele é investigado por suposta tentativa de golpe de Estado e alvo de outras apurações conduzidas pela Polícia Federal.

A declaração foi dada nesta sexta-feira (18), em frente à sede da Polícia Federal em Brasília, após cumprimento de mandados de busca e apreensão em sua residência e na sede do PL.

“A suspeita é um exagero. Sou ex-presidente da República, tenho 70 anos de idade. Suprema humilhação. É a quarta busca e apreensão em cima de mim”, disse Bolsonaro, que também afirmou que o “inquérito do golpe é político” e que “nada de concreto existe ali”.

Na operação, a PF apreendeu cerca de 14 mil dólares em espécie. A decisão que autorizou as medidas contra Bolsonaro foi assinada pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito no STF, em processo sigiloso autuado no dia 11 de julho — dois dias após o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros, mencionando o processo contra Bolsonaro.

Em tom de defesa, o ex-presidente negou qualquer intenção de fuga.

“Sair do Brasil é a coisa mais fácil que tem. Não conversei com ninguém sobre deixar o país”. Ele também ironizou as acusações, dizendo que se trata de um “golpe de festim”, e afirmou que seu filho Eduardo Bolsonaro deve continuar nos Estados Unidos: “Acredito que sim. Se ele vier para cá, vai ter problemas”.

A defesa de Bolsonaro declarou que recebeu “com surpresa e indignação” as medidas impostas e reforçou que o ex-presidente tem colaborado com a Justiça. Já o próprio Bolsonaro mencionou a intenção de retomar contato com Donald Trump, criticando o atual governo brasileiro por, segundo ele, não negociar para evitar tarifas sobre o aço, como ele teria feito em 2019.

As novas restrições ocorrem em um momento de tensão crescente entre Bolsonaro e o Judiciário, com o bolsonarismo se aproximando do cenário político norte-americano em apoio à candidatura de Trump. A investigação do STF ainda não tem prazo para conclusão.