Cada território, uma resposta à violência

Novo indicador busca orientar políticas conforme as necessidades dos 184 municípios do Ceará.

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A violência deixa marcas nas estatísticas, mas sua prevenção exige enxergar também o que acontece antes delas. Abandono escolar, falta de oportunidades e acesso precário a serviços ajudam a compor esse retrato. É nessa direção que aponta o Índice de Prevenção da Violência (IPV), apresentado pelo Governo do Ceará na última terça-feira (13).

Desenvolvida sob coordenação do Ipece, a ferramenta reúne 34 indicadores em cinco dimensões e busca orientar a escolha dos territórios que precisam de maior atenção. Violência e vulnerabilidade social da juventude concentram 70% do peso do cálculo.

Com dados de 2025, o levantamento classificou 37 municípios como prioridade preventiva elevada, 58 como intermediária e 89 com menor prioridade relativa. Fortaleza, Madalena, Caucaia, Maranguape e Boa Viagemregistraram os maiores valores.

A leitura exige cuidado: prioridade preventiva não equivale a um ranking de criminalidade. O índice considera também condições sociais, infraestrutura e rede de proteção. Assim, pode apontar fragilidades em localidades onde a violência ainda não aparece com tanta intensidade.

O diagnóstico deverá subsidiar a Agenda Estratégica de Prevenção à Violência 2027–2036. A proposta é organizar estratégias para os 184 municípios, ampliando o alcance do planejamento hoje associado às ações do PReVio em dez cidades.

O desafio será transformar o mapa em decisões: quais serviços ampliar, onde investir e como acompanhar os resultados. Municípios com problemas diferentes precisarão de respostas diferentes.

O índice oferece uma referência para essas escolhas. Sua utilidade, porém, dependerá da atualização dos dados, da articulação entre Estado e prefeituras e da execução das medidas. Para a população, o resultado relevante será perceber mais proteção e oportunidades no cotidiano.