O ministro da Educação, Camilo Santana, voltou a descartar qualquer intenção de disputar o Governo do Ceará nas eleições de 2026. Em entrevista publicada neste domingo pelo jornal O Globo, Camilo afirmou que sua atuação estará concentrada no apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com foco especial na articulação política no Nordeste.
Segundo o ministro, a definição do palanque governista no Ceará está consolidada. “O candidato é Elmano”, afirmou, ao explicar que sua decisão de não entrar na disputa estadual está ligada à estratégia de ampliar sua atuação política em escala regional e nacional. Camilo ressaltou que pretende ter mais liberdade para contribuir com a eleição presidencial, aproveitando sua relação com governadores e senadores nordestinos.
Ao comentar o cenário eleitoral no Ceará, Camilo reconheceu que o ex-ministro Ciro Gomes desponta como o principal nome da oposição. Diferentemente de entrevistas anteriores, quando a possibilidade de candidatura de Ciro era tratada como improvável, o ministro adotou um tom mais direto. “Ninguém escolhe adversário. Hoje, o adversário mais forte contra Elmano é ele”, disse, ao avaliar a reorganização do campo oposicionista no estado.
Na entrevista, Camilo também foi questionado sobre a possibilidade de deixar o Ministério da Educação para se dedicar integralmente à campanha. Sem confirmar formalmente uma saída imediata, indicou que pretende intensificar sua presença no Ceará e em outros estados do Nordeste, com o objetivo de fortalecer alianças e evitar, segundo ele, “retrocessos” políticos. “Terei mais tempo para percorrer o estado e fazer articulação política”, afirmou.
Ao avaliar o contexto nacional, o ministro discordou da leitura de que o cenário de 2026 será mais difícil para o governo federal e para o Palácio da Abolição. Para ele, os resultados eleitorais recentes e indicadores administrativos reforçam a posição do grupo político. Camilo citou a eleição do PT em Fortaleza como um dado relevante e reconheceu que a segurança pública segue como um dos principais desafios, “como no Brasil inteiro”.
A entrevista, portanto, reforça a percepção, nos bastidores, de que Camilo deve assumir um papel estratégico na coordenação política da campanha presidencial, especialmente no Nordeste, região considerada decisiva para o projeto de reeleição de Lula. Prestigiado dentro do governo, o ministro é visto como um dos principais articuladores do campo governista para 2026.




