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O Brasil tem registrado um aumento expressivo de casos de herpes-zóster, infecção viral popularmente conhecida como “cobreiro”. Segundo dados do Ministério da Saúde, apenas nos dois primeiros meses de 2024, o número de registros chegou a 27 mil, três vezes mais do que no mesmo período do ano anterior. O crescimento também é observado nas internações hospitalares: quase 5 mil em 2024, um salto de 10% em relação a 2023.
A doença é provocada pela reativação do vírus varicela-zóster, o mesmo que causa a catapora. Uma vez infectado, o vírus permanece inativo no organismo e pode ser reativado anos depois, especialmente em pessoas com imunidade baixa.
“Durante anos, o vírus pode permanecer adormecido. Quando há queda na imunidade, ele pode se manifestar em forma de inflamação nos nervos e provocar lesões cutâneas extremamente dolorosas”, explica a infectologista Lícia Pontes, da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar da Unimed Fortaleza.
Especialistas alertam que mais de 90% dos adultos brasileiros já tiveram catapora, o que os torna potenciais portadores do vírus, mesmo que sem sintomas. E como a vacinação contra a catapora só se tornou rotina pediátrica nos anos 1990, grande parte da população adulta segue vulnerável.
O herpes-zóster é mais comum em pessoas acima de 50 anos ou imunocomprometidas, mas o estresse também tem se mostrado um fator importante no surgimento da doença.
“Altos níveis de ansiedade e sobrecarga emocional enfraquecem as defesas do corpo, abrindo caminho para a reativação do vírus”, acrescenta a médica. A condição pode gerar complicações graves, como a neuralgia pós-herpética, uma dor crônica que pode durar meses — ou até anos — após a cicatrização das lesões.
A boa notícia é que a prevenção está ao alcance, por meio da vacinação. A vacina Shingrix, indicada para pessoas a partir de 50 anos ou com baixa imunidade, tem eficácia superior a 90%. Aplicada em duas doses, com intervalo de dois a seis meses, ela protege não apenas contra o surto da doença, mas também contra as complicações mais severas.
Em Fortaleza, a clínica Unimed Vacinas, por exemplo, tem aplicado, em média, 2 mil doses da Shingrix por mês e realiza cerca de 1.500 atendimentos, contemplando todas as faixas etárias.
Com o avanço dos números e o envelhecimento da população, especialistas reforçam que a conscientização é fundamental.
“Vacinar-se é uma forma de cuidar não só do corpo, mas da qualidade de vida”, conclui a Dra. Lícia.




