Cid Gomes critica política de juros do Banco Central: “É Robin Hood ao contrário”

Para o senador cearense, a política monetária atual transfere trilhões para investidores enquanto investimentos sociais ficam em segundo plano.
Foto: Saulo Cruz/Agência Senado

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Fotos: Saulo Cruz/Agência Senado

Durante sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, nesta terça-feira (22), o senador Cid Gomes (PSB-CE) fez um discurso contundente contra a política monetária brasileira. Com críticas diretas à condução dos juros pelo Banco Central e à autonomia da instituição, Cid classificou o atual cenário como uma “mamata” que beneficia o sistema financeiro em detrimento do povo.

“Estou absolutamente incomodado com a ausência de debate sobre a política monetária no nosso país”, iniciou o senador, ao destacar a disparidade entre os juros praticados e os investimentos públicos. Segundo ele, a projeção de uma taxa média de juros de 14,5% para conter uma inflação de 5% “dá uma margem de lucratividade, de ganho, para a gente botar no bolso de 10%. Isso é uma mamata. É uma mamata das grandes.”

Cid alertou ainda para o impacto dessa política sobre a dívida pública, hoje estimada em R$ 9 trilhões.

“Isso dá 1,3 trilhão de reais ao ano em pagamento de juros. Some o que se investe em educação, saúde, infraestrutura… não chega à metade disso”, afirmou. Para ele, a política monetária atual só agrava o endividamento do país e transfere recursos do Estado para grandes investidores.

O senador também voltou a criticar a autonomia do Banco Central, aprovada em 2021. Ele lembrou que foi contra a proposta desde o início e acusou a instituição de servir “ao mercado e não ao Brasil”. Em suas palavras: “O Banco Central é governo, e é o Banco Central quem tira dos pobres, dos trabalhadores, dos que empreendem para dar aos especuladores. Isso certamente tem que ter um fim.”

Cid pediu que o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que estava presente, envie à CAE um relatório detalhado sobre as operações de compra e venda de dólar realizadas pela instituição, com os respectivos valores e datas. Para ele, a transparência é essencial para interromper o que chamou de “círculo vicioso”.

Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) promove audiência pública interativa para ouvir o presidente do Banco Central do Brasil e tratar sobre as diretrizes, a implementação e as perspectivas da política monetária. À bancada, em pronunciamento, senador Cid Gomes (PSB-CE). Mesa: presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo; presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL). Foto: Saulo Cruz/Agência Senado
Discurso de Cid foi ouvido de viva voz pelo presidente do Banco Central.

Encerrando sua fala, Cid deixou uma provocação ao próprio governo, ao sugerir que o atual modelo atua como um Robin Hood ao contrário:

“Eu não sei até quando o povo brasileiro, talvez pela ausência de debate, vai suportar um governo cumprindo esse papel.”

A fala de Cid repercutiu entre os parlamentares e nas redes sociais, e reacende o debate sobre o papel do Banco Central, o modelo de metas de inflação e o peso dos juros na vida do brasileiro comum.