Crise no PDT tem mais um capítulo marcado por uma eleição que acabou anulada

Decisão da juíza Maria de Fátima Bezerra Catunda mantém André Figueiredo na presidência mas abre possibilidade do Diretório voltar a se reunir para eleger Cid Gomes,

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Foto: O Otimista

Em um cenário de disputas internas e confrontos políticos, o PDT do Ceará viveu mais um capítulo de sua crise interna, na tarde desta segunda-feira (16). O Diretório estadual do PDT realizou a eleição para escolher seu novo presidente, e o senador Cid Gomes emergiu como o vencedor com 48 votos favoráveis e uma abstenção. No entanto, a festa de Cid Gomes foi efêmera, pois uma decisão da Justiça anulou a eleição em questão de minutos.

A batalha pela presidência do PDT Ceará já era uma história longa e complicada, marcada pela disputa entre Cid Gomes e o deputado federal André Figueiredo, que até então ocupava a presidência estadual do partido. Com a votação, Figueiredo estava destinado a deixar o cargo, mas a reviravolta judicial manteve-o no posto.

A juíza Maria de Fátima Bezerra Facundo, da 28ª Vara Cível de Fortaleza, suspendeu a eleição do PDT Ceará alegando que os prazos para a convocação da reunião não teriam sido devidamente respeitados. No entanto, a decisão não tocou na outra reivindicação de André Figueiredo, que era evitar sua destituição até o final de 2023.

A decisão da juíza, portanto, não encerra o conflito interno do partido, ao contrário, abre espaço para que o Diretório respeite os procedimentos e prazos necessários para realizar uma nova eleição e potencialmente destituir o atual presidente, André Figueiredo, elegendo Cid Gomes novamente.

A raiz dessa crise interna no PDT remonta à campanha eleitoral de 2022 e ganhou corpo no início deste ano, quando o grupo liderado por Cid definiu apoio ao governo Elmano de Freitas (PT), inclusive escalando representantes na equipe do governador e emplacando o deputado pedetista Romeu Aldiguéri na liderança do governo na Assembleia.

O grupo de André Figueiredo optou a princípio pela neutralidade, mas na prática passou a atuar na oposição, tanto através de três deputados do grupo na Assembleia, quanto nas críticas sistemáticas do ex-prefeito Roberto Cláudio e, mais recebtemente, do ex-governador Ciro Gomes.

Outro ponto de discórdia envolve a pretensão do atual prefeito de Fortaleza josé Sarto disputar a reeleição, em 2024, enquanto o grupo de Cid defende um alinhamento com o PT.

A política é frequentemente uma arena de conflitos, rivalidades e jogos de poder, e o episódio no PDT Ceará é mais um exemplo disso. Enquanto o partido lida com seus dilemas internos, os eleitores do estado observam atentamente as reviravoltas políticas que podem afetar o cenário político local. O desfecho dessa saga só o tempo dirá, mas, por enquanto, a política no Ceará permanece instável e imprevisível.