Da orla ao trabalho, a bicicleta vira rotina em Fortaleza

Com vendas em alta e uso crescente do Bicicletar, pedalar deixa de ser exceção e vira hábito urbano.

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Fortaleza vive um momento de consolidação da bicicleta como meio de deslocamento cotidiano. Além de um hábito que cresce entre moradores para ir ao trabalho, praticar esporte ou aproveitar o lazer ao ar livre, a bicicleta também se afirma como alternativa acessível e prática para quem está de passagem pela cidade.

Fortaleza no ritmo das bicicletas

Dados da 5ª edição da pesquisa Perfil, Percepção da Satisfação e Felicidade do Turista em Fortaleza mostram que o sistema de bicicletas compartilhadas Bicicletar foi o serviço público mais utilizado pelos turistas que demandaram algum suporte municipal, com 27,7% das intenções de uso entre os visitantes que utilizaram serviços públicos — à frente de ônibus, Wi-Fi público e Casas do Turista.

O uso do Bicicletar também se reflete em números internos de operação: o sistema registrou mais de 8 milhões de viagens em 2025, com quase 570 mil usuários cadastrados e um aumento de cerca de 49% nas viagens em relação ao mesmo período de 2024.

Para quem não pode ou não quer comprar sua própria bicicleta, essa plataforma funciona como mão na roda. Pensado tanto para residentes quanto para visitantes, o Bicicletar está espalhado pela cidade com dezenas de estações e regras de uso que incluem até cortes de tarifa para estudantes e usuários de Bilhete Único, proporcionando deslocamentos curtos e médios sem depender de veículo particular ou transporte público lotado.

Bicicleta: útil para o fortalezense, sensação entre os turistas

Crescimento das bicicletas no Brasil

O interesse pelas bicicletas no Brasil vai além dos sistemas compartilhados. O mercado nacional de bicicletas elétricas, por exemplo, vem crescendo de forma expressiva: no primeiro semestre de 2025 a produção aumentou cerca de 122% em comparação com o mesmo período de 2024, segundo dados da indústria.

A tendência do setor é firme também em projeções mais amplas: estimativas apontam crescimento sustentável do mercado de bicicletas no país nos próximos anos, com a indústria nacional de bicicletas e componentes avançando em receita e oferta.

Entre hábito e mobilidade urbana

O aumento no uso de bicicletas em Fortaleza acompanha transformações mais amplas de mobilidade urbana no Brasil e no mundo: deslocamentos ativos — aqueles feitos com esforço físico, como caminhar e pedalar — ganham espaço em cidades que buscam reduzir congestionamentos, aumentar a saúde da população e diminuir emissões de carbono.

Em Fortaleza, as ciclovias e ciclofaixas ampliadas, somadas à capilaridade do Bicicletar, têm ajudado a tornar a bicicleta uma opção concreta no dia a dia — seja para ir ao trabalho, aproveitar a orla ou simplesmente fazer compras de maneira mais ágil. O fato de turistas escolherem o Bicicletar também reforça a percepção de que pedalar é hoje uma forma de conhecer melhor a cidade, economizando e explorando a paisagem sem pressa.

O que isso significa para a cidade

O crescimento do uso da bicicleta, seja por meio de vendas em alta no segmento de elétricas e urbanas, seja pelo aumento das viagens no Bicicletar, aponta para uma mobilidade mais diversificada. Para quem ainda não tem bicicleta própria, o sistema de compartilhamento torna-se uma alternativa prática e econômica. Para quem já pedala, faz parte de um estilo de vida que combina deslocamento, esporte e lazer.

Fortaleza, assim, se consolida como uma cidade onde a bicicleta não é apenas equipamento de esporte ou lazer — ela se insere nas rotinas de quem mora e visita, integrando mobilidade, bem-estar e experiências urbanas.