De volta à Assembleia Legislativa, fora da disputa

Domingos Filho descarta candidatura à presidência e sinaliza seu lugar na articulação governista.
Domingos Filho

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Domingos Filho conhece o caminho de volta, mas faz questão de dizer que seu destino não é a cadeira de presidente, como muita gente especulou nos bastidores. À frente da Assembleia Legislativa quando foi eleito vice-governador de Cid Gomes, em 2010, ele deixou o Parlamento, passou pelo Tribunal de Contas dos Municípios e agora prepara o retorno à Casa do Povo, em fevereiro.

Não será uma volta discreta. Segundo relatou ao Programa do Rubão, a candidatura foi definida de última hora, no dia da convenção do PSD, partido que preside no Ceará. Ainda assim, conquistou cerca de 75 mil votos, mesmo com lideranças já comprometidas com outros candidatos da legenda. É uma votação que lhe dá respaldo para participar das decisões da nova legislatura.

Esse peso, porém, não será convertido em candidatura ao comando da Casa, garante: “Não serei candidato à presidência da Assembleia.” A negativa vem acompanhada do reconhecimento de que Romeu Aldigueri reúne condições para buscar a recondução, a começar pelo tamanho da bancada do PSB.

Há pragmatismo nessa leitura. A experiência de quem já presidiu o Legislativo conta, mas não substitui os votos e os acordos necessários para chegar ao posto. Com três deputados eleitos, o PSD terá de negociar sua participação na Mesa. E Domingos já explicitou ao governador Elmano de Freitas sua posição: “Votarei no seu candidato.”

A declaração favorece Aldigueri, embora não encerre as conversas entre os aliados. Para Domingos, abre-se outra perspectiva: voltar sem disputar a presidência e, ainda assim, ter voz na construção dos entendimentos. O interesse público estará em observar como essa experiência será empregada, tanto nas negociações políticas quanto nas respostas que a Assembleia precisa oferecer ao Ceará.

 

Foto: Nicolás Neiva