Desfile, polêmica e cálculo político

Rebaixamento da Acadêmicos de Niteroi, comemorado por bolsonaristas, entre governistas fica em segundo plano e Planalto tenta controlar impactos da homenagem a Lula

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O rebaixamento da Acadêmicos de Niterói após o desfile que homenageou o presidente Lula gerou comemorações de oposicionistas nas redes sociais mas acabou ficando em segundo plano no Planalto. A orientação entre auxiliares é destacar que a escola conquistou nota máxima no quesito samba-enredo — justamente o que celebrava a trajetória do petista. Nos bastidores, ministros lembram que o retorno à Série Ouro é comum para agremiações recém-promovidas ao grupo especial e atribuem o resultado também à diferença de estrutura frente às escolas mais tradicionais.

A homenagem, porém, foi além da Sapucaí e entrou no radar político. Lulistas comemoraram a visibilidade, enquanto adversários denunciaram suposta propaganda eleitoral antecipada. Provocado, o TSE rejeitou pedidos para barrar o desfile, mas a ministra Cármen Lúcia avisou que a Corte estaria “de olho” em eventuais irregularidades.

Lula esteve na avenida, mas adotou cautela: assistiu a todos os desfiles da noite para evitar favorecimentos. Nenhum ministro ou a primeira-dama Janja participou oficialmente da apresentação. Ainda assim, a sátira com evangélicos — criticada pela Frente Parlamentar Evangélica — acendeu alerta político. No governo, há quem tema ruído eleitoral, embora a avaliação predominante seja de que resultado de carnaval não define voto.