O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, lançou um desafio público a ex-ocupantes do cargo para discutir a situação das contas públicas que recebeu ao assumir o governo e os resultados fiscais recentes. Em vídeo divulgado nesta quinta-feira (19), em seu perfil nas redes sociais, ele afirmou estar disposto a debater “em qualquer auditório” os números da economia brasileira.
“Estou disponível para conversar com qualquer pessoa que sentou na minha cadeira sobre as contas públicas e de qualquer período”, disse Haddad. Segundo o ministro, o déficit projetado herdado de 2023 superaria 1,6% do PIB, enquanto o resultado mais recente teria ficado em 0,48% do PIB, considerando exceções fiscais autorizadas. “Nós reduzimos em dois anos 70% o déficit primário”, afirmou.
O pronunciamento ocorre em meio ao debate político sobre o equilíbrio das contas públicas e a credibilidade do novo arcabouço fiscal, regra criada para substituir o teto de gastos e estabelecer metas de resultado primário para o governo federal. O desempenho fiscal tem sido um dos principais pontos de disputa entre governo e oposição, especialmente diante de pressões por aumento de despesas e medidas para elevar a arrecadação.
O resultado primário — diferença entre receitas e despesas antes do pagamento de juros da dívida — é um dos indicadores centrais para avaliar a sustentabilidade das contas públicas. Nos últimos anos, o Brasil alternou períodos de déficit e superávit, influenciado por fatores como pandemia, políticas de estímulo econômico e mudanças tributárias.
Ao propor o debate, Haddad também tenta reforçar a narrativa de melhora fiscal da atual gestão, ao mesmo tempo em que responde a críticas sobre metas fiscais e renúncias de receitas aprovadas pelo Congresso.
“Chama qualquer um… para discutir as contas que eu recebi”, reiterou o ministro.




