A queima de fogos registrada em diversos bairros de Fortaleza, na noite de segunda-feira (15), atribuída a integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), repercutiu de forma imediata na Assembleia Legislativa do Ceará. O episódio, interpretado como sinal de disputa por territórios, dominou os pronunciamentos de deputados nesta terça (16) e expôs divergências entre governo e oposição sobre a condução da segurança pública no Estado.
Críticas da oposição
O deputado Sargento Reginauro (União) classificou o ato como um “réveillon antecipado”, destacando o impacto de curiosidade e temor na população. Para ele, o episódio confirma alertas já feitos em investigações da Polícia Civil. “A facção criminosa do Rio de Janeiro quer tomar o poder de toda a Fortaleza. Aconteceu”, afirmou.
Reginauro também rebateu a fala do chefe da Casa Civil, Chagas Vieira, que nas redes sociais havia criticado quem tentava “politizar” o caso. O parlamentar defendeu que a segurança é, por natureza, um tema político, por envolver políticas sociais de inserção de jovens, educação e moradia.
Defesa do governo
Em resposta, deputados governistas ressaltaram a reação rápida das forças de segurança, que resultou na prisão de 19 suspeitos ainda na mesma noite. O líder do governo na Alece, Guilherme Sampaio (PT), disse que a gestão estadual não tolera ações criminosas e que o governador Elmano de Freitas mantém orientação de combate “implacável” ao crime organizado.
Sampaio criticou ainda a postura de opositores que, segundo ele, preferem usar as redes sociais para “propaganda” em vez de reconhecer a atuação policial.
“Um dia desses, um colega deputado me lembrava que, mesmo estando afastado, essa personagem, essa personalidade, poderia, inclusive, se colocar à disposição para o combate ao crime. Deveria ter feito isso ontem à noite. Quando ouviu os primeiros fogos, deveria ter se juntado, procurado o secretário de segurança se voluntariado para ir para a linha de frente ao lado dos policiais”, disse o líder do governo.
Embora não tenha citado nomes, a fala foi entendida como referência ao ex-deputado Capitão Wagner (União), que costuma gravar vídeos sobre segurança.
Disputa política
Outro governista, De Assis Diniz (PT), avaliou que parte da oposição tenta criar pânico para explorar politicamente o tema. Ele ressaltou ações da atual gestão e afirmou que os críticos “não são capazes de enxergar tudo que o Ceará vivencia nessa quadra política tão relevante”.
Contexto
A violência urbana e a atuação de facções criminosas seguem como um dos principais desafios do Ceará. A queima de fogos evidenciou novamente a pressão que esses grupos exercem sobre comunidades e a forma como o tema se torna central no embate político entre governo e oposição na Assembleia Legislativa.




