Em Nova York, Danilo Forte critica leilão de energia brasileiro

No Fórum do Lide, deputado cearense alertou investidores sobre impactos nas energias renováveis.

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O debate sobre os rumos da matriz energética brasileira foi tema do deputado federal Danilo Forte durante o 15º Fórum Internacional do Lide, em New York. Diante de empresários, investidores e autoridades internacionais, o parlamentar criticou o leilão de reserva de capacidade energética realizado em março e alertou para o risco de o Brasil perder espaço na corrida global por investimentos em energia limpa.

Segundo Danilo, a decisão de priorizar usinas térmicas movidas a gás e até a carvão representa um retorno ao passado em um momento em que o mercado internacional busca exatamente o oposto: fontes renováveis e redução de emissões de carbono. Em tom de alerta, afirmou: “o Brasil priorizou nesse leilão um verdadeiro disparate com tudo o que a gente pode pensar para o futuro”.

O parlamentar também relacionou o cenário à desaceleração do setor no Nordeste, especialmente no Ceará. De acordo com ele, mais de 20 mil empregos teriam sido impactados no estado, enquanto cerca de 497 empreendimentos ligados à energia solar e eólica estariam sendo paralisados na região.

A polêmica ganhou dimensão nacional após o MPF pedir a suspensão do leilão, considerado o maior de energia de 2026, com contratação de 20 GW. A Abraenergias estima que, caso o modelo seja mantido, o impacto poderá chegar a 10% de aumento nas contas de luz dos consumidores e até 20% para a indústria, além de um custo acumulado de R$ 510 bilhões em dez anos.

O episódio expõe uma disputa que vai além da geração de energia. Está em jogo o modelo econômico que o país pretende adotar diante da pressão internacional por sustentabilidade, competitividade industrial e atração de novos investimentos tecnológicos, especialmente em áreas como datacenters e hidrogênio verde.