Em meio aos debates sobre economia, energia e investimentos no Fórum do Lide, em Nova York, o deputado federal cearense Domingos Neto (PSD) decidiu levar ao centro da discussão um tema menos econômico, mas que, na visão dele, influencia diretamente a capacidade do Brasil de avançar em reformas estruturais: o sistema político-eleitoral.
Diante de empresários, investidores e autoridades, o parlamentar defendeu a adoção do voto distrital misto como forma de aproximar eleitores e representantes e fortalecer a legitimidade do Congresso Nacional. Em sua avaliação, o atual modelo proporcional de lista aberta contribui para o distanciamento entre a população e os parlamentares. “O Brasil parece um foguete acorrentado”, resumiu.
Relator da proposta na Câmara, Domingos Neto afirmou que a mudança pode entrar em votação ainda este ano e, se aprovada, ser implantada a partir das eleições de 2030. O sistema defendido por ele combina dois formatos: metade dos parlamentares seria eleita por distritos regionais — em que vence o candidato mais votado daquela área — e a outra metade por listas partidárias proporcionais. O objetivo é unir representatividade territorial e pluralidade partidária.
O modelo funciona em países como a Alemanha, referência mais conhecida do sistema, além de Nova Zelândia e Japão, onde o voto distrital misto foi adotado como forma de ampliar a conexão entre eleitor e Parlamento.
Ao citar que grande parte dos brasileiros não lembra em quem votou para deputado, Domingos Neto tocou em um ponto sensível da política nacional: a percepção de baixa identificação popular com o Congresso. Para ele, um sistema mais territorializado pode melhorar o debate político, aumentar a cobrança sobre os eleitos e reduzir a força de candidaturas impulsionadas apenas pela viralização nas redes sociais.
Num ambiente voltado à discussão sobre o futuro do país, a fala do parlamentar cearense trouxe um recado claro: antes de discutir grandes reformas econômicas, o Brasil talvez precise decidir como quer ser representado politicamente.




