Governo interpela Ciro judicialmente sobre acusações de corrupção

O ex-ministro afirmou durante convenção do PSDB que não há "nenhuma obra pública no Ceará que não envolvesse o pagamento de propinas".

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Foto: Arquivo

O ex-ministro e ex-governador do Ceará, Ciro Gomes (PDT), deverá provar na justiça as acusações que fez de corrupção por parte do Governo do Estado. O imbróglio teve início durante a convenção estadual do PSDB, onde Ciro, em discurso, disse que não existiria nenhuma obra pública no Ceará que não envolvesse o pagamento de propinas.

Em resposta, o governo cearense interpelou judicialmente Ciro Gomes, instando-o a apresentar provas que corroborassem suas afirmações no prazo de três dias. Coube ao líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Romeu Aldigueri (PDT), tornar público esse movimento, enfatizando a gravidade das acusações de Ciro e a necessidade de esclarecimentos.

“O Governo do Ceará, diante das infundadas e mentirosas declarações do senhor Ciro Ferreira Gomes contra a gestão estadual, entrou com interpelação judicial”, disse Aldigueri, lendo em Plenário uma nota do Executivo. “No 1º de novembro, o Estado do Ceará já interpelou o senhor Ciro Ferreira Gomes. Agora, o cidadão referido terá que provar na Justiça as suas levianas acusações contra diversos órgãos do Estado”, acrescentou, negando irregularidades e garantindo que a gestão é uma das mais “transparentes” do Brasil.

Paralelamente, o deputado de oposição Cláudio Pinho propôs a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as declarações de Ciro Gomes durante a convenção do PSDB. Ele planeja reunir as 12 assinaturas necessárias de parlamentares para iniciar a investigação.

“É só fazer a apuração dos fatos. Se o que ele disse é verdade ou se é mentira, nós temos meios para fazer essa investigação”, destacou Cláudio. “É momento de nós termos que, realmente, trazer a verdade. Nós não pudemos e essa Casa não pode pactuar com mentira”, acrescentou.

A sugestão de CPI foi rechaçada pelo deputado Audic Mota (MDB) que, ex-assessor especial de Desenvolvimento Regional do Governo do Estado. Audic apontou “contradição gravíssima” no pronunciamento de Pinho.

“Para qualquer CPI tem que ter um fato determinado”, lembrou o político, classificando as acusações de Ciro como “tristes”.

A ação judicial foi protocolada na 14ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Fortaleza. O governo alega que as acusações de Ciro prejudicaram a imagem do Estado de maneira irresponsável.