A poucos meses de retomar a rotina parlamentar, José Nobre Guimarães decidiu falar — e falar alto. Em entrevistas ao podcast “As Cunhãs”, apresentado por Kamila Fernandes, Hebely Rebouças e Inês Aparecida, e ao programa “Jogo Político”, do O Povo, o deputado deixou claro que não pretende abrir mão da corrida por uma das duas vagas ao Senado no próximo ano.
“Só tem uma pessoa para quem eu entrego a decisão: Luiz Inácio Lula da Silva”, afirmou, sinalizando que respeita a hierarquia partidária, mas não aceitará ser preterido.
Nas últimas três eleições, Guimarães recuou em nome de composições que garantiram alianças e estabilidade à base petista no Ceará. Agora, diz que chegou sua vez. “Não tenho disposição de negociar minha saída. Vamos para a luta, vamos para a disputa”, reforçou no Jogo Político.
Jogo de formiguinha
As declarações marcam mais que uma retomada pública: confirmam o “jogo de formiguinha” que Guimarães vem fazendo internamente — conversando com lideranças da base e acumulando funções estratégicas, como a coordenação dos Grupos de Trabalho Eleitoral (GTEs) nos estados.
A movimentação revela sintonia com o Planalto e serve também como alerta aos aliados. “Ninguém no Ceará foi mais leal ao Lula do que eu”, disse, destacando que sua trajetória é parte do projeto nacional petista.
Firmeza e recados
Ao comentar as recentes derrotas do governo no Congresso, Guimarães mandou recados diretos a aliados infiéis: “A Gleisi vai passar a faca”, afirmou, referindo-se à ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Segundo ele, o governo vai cobrar coerência de quem ocupa cargos, mas vota contra o Planalto.
Também recordou o passado recente: “Quem votou pelo impeachment da Dilma se deu mal depois”, afirmou, citando nomes derrotados em 2018, como Eunício Oliveira.
PT com tudo? Ele rebate
Confrontado com a tese de que o PT “já tem tudo” — Governo Federal, Governo do Estado e Prefeitura de Fortaleza — e não deveria disputar o Senado, Guimarães reagiu. “O Cid teve tudo. O Tasso teve tudo. O eleitor é quem decidiu”, disse, lembrando que o governador Elmano de Freitas venceu no primeiro turno em 2022 “porque o povo quis”.
Para ele, a discussão não é local, mas nacional: “O país precisa de uma bancada no Senado que impeça os golpistas de destruírem a democracia”.
Estratégia antecipada
Guimarães sabe que o cenário é competitivo — só no grupo governista cearense há oito pré-candidaturas ao Senado. Mesmo assim, decidiu agir cedo, posicionando-se publicamente e reforçando apoios. A julgar pelas últimas semanas, o parlamentar já começou a construir 2026 — e quer garantir que, dessa vez, seu nome não saia da disputa antes da hora.




