Justiça em modo silêncio

TSE prepara regras para blindar conduta de juízes nas eleições.

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A Justiça Eleitoral decidiu apertar o próprio cinto antes de cobrar disciplina dos demais atores do jogo político. A presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministra Cármen Lúcia, anunciou um pacote de regras para balizar a conduta de juízes durante o período eleitoral — um movimento que mira menos o barulho das campanhas e mais o silêncio necessário de quem julga.

A lógica é simples: magistrado não é comentarista.
Agendas públicas, distância de candidatos, nada de opiniões em redes sociais, nada de encontros que pareçam proximidade indevida. O recado é prevenir suspeitas antes que elas nasçam.

Em tempos de polarização permanente, cada gesto vira prova, cada foto vira tese. A neutralidade, que antes era presumida, agora precisa ser demonstrada.

O debate ocorre no momento em que a ministra também conduz discussões sobre o Código de Ética do Supremo Tribunal Federal. A coincidência de agendas indica uma preocupação institucional mais ampla: proteger a credibilidade do Judiciário.

Não se trata de cercear juízes, mas de blindar decisões.
Quando a Justiça entra no noticiário por comportamento, perde-se foco no mérito.

Ao impor regras claras, o TSE tenta reduzir ruídos.
Em ano eleitoral, confiança vale tanto quanto voto.