Foto: Mario Agra/Câmara dos Deputados
A Polícia Federal revelou a existência de um esquema de desvio de recursos públicos que teria o deputado federal Júnior Mano (PSB-CE) como figura central. A operação, batizada de Underhand, foi autorizada pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, e cumpriu 15 mandados de busca e apreensão em cinco municípios do Ceará — incluindo Fortaleza e Canindé — além de endereços ligados ao parlamentar em Brasília.
Segundo as investigações, o grupo atuava por meio da cobrança de um “retorno financeiro” de até 15% sobre valores enviados por emendas parlamentares a prefeituras, prática tratada como uma espécie de “pedágio institucionalizado”. O dinheiro, segundo a PF, abasteceria campanhas eleitorais, financiaria influenciadores e jornalistas, e garantiria apoio político local.
Mensagens obtidas pela PF apontam conversas entre o prefeito foragido de Choró, Carlos Alberto Queiroz (o “Bebeto”), e Adriano Almeida Bezerra, assessor de Júnior Mano, em que a liberação de recursos é condicionada ao pagamento de propina. Em um dos trechos destacados, a negociação de R$ 1,5 milhão teria gerado um “retorno” de 12%. A resposta de Adriano à solicitação foi curta e direta: “Pronto. Arrocha.”
As informações confirmam denúncias feitas anteriormente pela ex-prefeita de Canindé, Maria do Rozário Ximenes, que afirmou ter sido procurada por integrantes do grupo com proposta semelhante: liberação de verba mediante repasse de parte do valor.
Além das emendas, a PF aponta que o grupo também operava em transferências voluntárias via Caixa Econômica Federal, utilizando-se de empresas de fachada e contando, possivelmente, com a colaboração de servidores públicos para legitimar contratos.
O ministro Gilmar Mendes determinou o bloqueio de R$ 54,6 milhões das contas dos envolvidos, como forma de evitar a movimentação de recursos suspeitos e garantir eventual ressarcimento ao erário.
Os investigados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro, captação ilícita de votos e falsidade ideológica com fins eleitorais.
Procurado, o deputado Júnior Mano negou qualquer envolvimento direto com licitações, contratos ou ordenação de despesas. A assessoria reiterou que o parlamentar confia nas instituições e acredita que sua conduta será esclarecida.
“A verdade dos fatos prevalecerá”, diz a nota enviada pela assessoria do deputado.




