O governo federal projeta que, sem a compensação fiscal da medida provisória (MP) que aumentava tributos, as emendas parlamentares para 2026 sofrerão um corte de R$ 7,1 bilhões — valor que deixaria de ser sequer inscrito no projeto de lei orçamentária.
Por que esse corte?
A previsão parte de técnicos da equipe econômica, alinhados com o Palácio do Planalto. Segundo eles, sem a receita adicional esperada da MP, será impossível manter o teto de gastos discricionários (destinados a custeio da máquina pública e investimentos) na proporção acordada.
O “orçamento mais enxuto” resultante da perda de arrecadação levaria o governo a reduzir gastos onde é possível — e as emendas parlamentares figuram como uma das áreas móveis nesse contexto.
Além disso, parte dessa estratégia seria cumprir um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), que vedaria o uso de expansão das emendas à custa de redução do espaço para demais despesas discricionárias.
Números em jogo
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A previsão consolidada para 2026 apontava originalmente para R$ 52,9 bilhões em emendas parlamentares, dos quais R$ 40,8 bilhões seriam impositivas (individuais e de bancada) e R$ 12,1 bilhões seriam de comissão.
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Com o corte proposto, esse montante cairia para cerca de R$ 45,8 bilhões — ou seja, uma perda de espaço para indicações parlamentares.
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Em março de 2026, haverá a primeira revisão fiscal. Se o Congresso não aprovar uma lei complementar que autorize corte nos benefícios tributários, pode haver ainda um contingenciamento adicional estimado em R$ 4,5 bilhões.
Questões de interpretação e resistência
No Congresso, há interpretação alternativa de que somente o crescimento real das emendas poderia ser sacrificável, mas não o montante nominal de um ano para outro. Nessa linha, haveria espaço para um corte menor, estimado em cerca de R$ 2 bilhões.
Mas o governo rejeita essa leitura. Entre as emendas, a expectativa é que o impacto recaia principalmente sobre as comissões — cujos recursos são mais “flexíveis” —, enquanto as emendas impositivas permaneceriam menos suscetíveis a ajustes.
Em casos nos quais os parlamentares insistissem em manter um volume maior de indicações, a outra via seria o veto presidencial aos excessos — um mecanismo mais drástico do que simples congelamento.
Consequências práticas — e pressões políticas
O corte, se confirmado, não seria apenas uma medida contábil. Ele tem implicações políticas e operacionais:
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Ações carimbadas por parlamentares (principalmente em ano eleitoral) poderiam não estar sequer previstas no Orçamento.
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Para reverter ou inserir essas emendas fora da peça original, seria necessário projeto de crédito suplementar aprovado em sessão conjunta do Congresso — o que pode ser moroso e arriscado.
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Em ano eleitoral, em que há limitações para execução de certas despesas públicas, as demoras impõem obstáculos para parlamentares que pretendem usar as emendas como instrumento de mobilização regional.
Além disso, o governo já estuda outras alternativas para recompor a arrecadação perdida com a proposta tributária rejeitada. Entre elas:
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Limitar o uso de créditos tributários para abatimento de impostos, exigindo comprovar pagamento efetivo.
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Aumentar tributos sobre fintechs e operações ligadas a apostas (“bets”), que estavam previstos na MP original.
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Rediscutir mecanismos como o IOF ou outras medidas, ainda que com cautela diante da rejeição política.
Avaliação crítica e riscos
A proposta do governo — embora tecnicamente plausível dentro do regime fiscal vigente — envolve riscos políticos e institucionais:
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Para muitos parlamentares, o corte pode parecer uma forma de chantagem fiscal ou constrangimento institucional, sobretudo se houver percepção de que o Executivo escolhe quais emendas “caberão” ou não.
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A imposição de vetos ou subsequentes inserções via crédito suplementar pode gerar disputas acirradas entre Executivo e Legislativo.
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Se o governo não conseguir recompor a receita ou ajustar outras despesas obrigatórias, a pressão poderá recair sobre áreas sensíveis como saúde, educação ou investimentos regionais.
Conclusão
A disputa sobre emendas parlamentares para 2026 reflete um momento crítico entre os poderes: o Executivo reivindica controle fiscal e previsibilidade orçamentária; o Legislativo defende seu espaço de execução regional e autonomia política.
O resultado dessa negociação – seja pelo corte de R$ 7,1 bilhões ou por um recuo parcial – pode afetar não apenas o balanço das finanças públicas, mas também a correlação de forças em plena campanha eleitoral.




