A morte da jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de só 21 anos, durante um rope jump em Limeira (SP), já seria devastadora por si só. Não tem muito o que dizer diante de uma perda assim. Só que, como se não bastasse, o que veio depois nas redes sociais escancarou outra coisa — um tipo de crueldade que a gente insiste em fingir que não vê.
Depois do caso, começaram a circular comentários absurdos. Gente fazendo piada, gente culpando a vítima, gente tratando a morte como se fosse entretenimento. Foi aí que a deputada Luizianne Lins (Rede-CE) pediu que a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República investigassem essas publicações. E, sinceramente, não dá pra chamar isso de “opinião”. Tem coisa que passa do limite faz tempo.
O problema não é só descobrir quem escreveu essas barbaridades. É entender por que esse tipo de conteúdo ganha tanto espaço, tanta curtida, tanta visibilidade. A internet abriu portas importantes, claro — mas também virou terreno fértil pra quem acha que pode dizer qualquer coisa sem consequência.
A própria deputada resumiu bem: “não podemos naturalizar manifestações que incentivam violência”. E não podemos mesmo. Porque, no fim das contas, essa violência não fica só na tela. Ela atravessa, machuca, reforça padrões. Combater misoginia e violência de gênero hoje também passa por isso — pelo que a gente tolera (ou não) no ambiente digital.




