A reação do presidente da Assembleia Legislativa, Romeu Aldigueri, às críticas feitas por Ciro Gomes ao irmão Cid Gomes, acabou ampliando um componente cada vez mais presente no cenário político cearense: o peso das relações pessoais dentro da disputa de 2026.
Ao sair em defesa de Cid, Aldigueri foi além da solidariedade política. Fez um manifesto público de lealdade ao senador e ao grupo liderado por Elmano de Freitas e Camilo Santana. A postagem também funciona como resposta direta ao discurso de Ciro no Conjunto Ceará, onde o ex-ministro insinuou falta de empenho do irmão na sua campanha na eleição presidencial, em 2022 – especialmente na base política deles, Sobral, onde perdeu pela primeira vez. “Eu era fanático pelo meu irmão”, lamentou.
Mas o gesto mais simbólico veio de Sobral. Questionado sobre as críticas do irmão, Cid evitou o embate verbal. Apenas abriu a camisa, mostrou as cicatrizes dos tiros recebidos durante o motim da Polícia Militar, em 2020 – cujo comando é atribuído a membros do grupo hoje aliado de Ciro, como o Capitão Wagner – e resumiu tudo em uma frase curta: “Deus está vendo!”.
O silêncio de Cid acabou produzindo mais impacto político do que qualquer discurso. E revelou que, na pré-campanha cearense, memória, mágoa e simbolismo começam a dividir espaço com os debates administrativos e eleitorais.




