A dor que ninguém vê

Endometriose atinge milhões e ainda enfrenta invisibilidade no diagnóstico.

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dores que não aparecem em exames simples — e, por isso mesmo, acabam ignoradas. A endometriose é uma delas. Afeta milhões de brasileiras, mas ainda convive com o atraso no diagnóstico e, muitas vezes, com a banalização do sofrimento feminino.

Não se trata de cólica forte”. É uma condição que pode comprometer a rotina, o trabalho, os relacionamentos e até o sonho da maternidade. O corpo sinais: dores intensas, alterações no ciclo, desconfortos persistentes. Nem sempre são ouvidos.

O ginecologista Juvenal Linhares resume bem o desafio: “Não tratamos apenas uma doença, mas uma mulher em toda a sua complexidade física e emocional”. A frase ajuda a entender por que o cuidado precisa ir além da prescrição médica.

Sem cura definitiva, a endometriose exige acompanhamento contínuo, diagnóstico preciso e, sobretudo, escuta qualificada. Exames como ultrassom e ressonância ajudam a mapear a doença, mas o acolhimento ainda é parte essencial do tratamento.

Num país em que milhões convivem com essa realidade, o silêncio custa caro. Informar, reconhecer e tratar com seriedade não é apenas uma questão de saúde — é de dignidade.

Juvenal Linhares: “A endometriose exige um olhar sensível e individualizado”